Com certeza você já deve ter visto ou compartilhado em suas redes sociais frases e pensamentos motivacionais de um tal Bukowski. Mas afinal, quem é esse Clarice Lispector de calças que vez por outra frequenta nossas timelines?
Nascido terras germânicas, filho de pai americano e mãe alemã, Henry Charles Bukowski Jr ou simplesmente Buk, foi um dos importantes escritores americanos da segunda metade do século XX. Fruto da geração de “losers” que de alguma forma não se encaixavam nos padrões da próspera sociedade americana do pós-guerra e se tornaram cronistas do outro lado do “american way of life”.
Embora muitos o classifiquem como um escritor beatnick, o que Buk odiava, seu estilo passa longe das influências surrealistas, do academicismo bem como da escrita em fluxo de pensamento de Kerouac e sua trupe.
As letras do velho Buk eram puro escarnio, uma crônica obscena do submundo americano que as propagandas da Coca Cola insistiam em esconder. Um universo cheio de personagens de caráter duvidosos, de relações conflituosas e sexo pervertido, onde o cheiro de álcool e a sufocante fumaça de cigarro embaçavam as vistas de homens e mulheres perdidos na busca do tão desejado “sonho americano”.
Romancista , cronista e poeta, seu estilo cru e sarcástico revelam a dura realidade do homem comum colocado embaixo do tapete por uma sociedade que valoriza o consumo desenfreado e se apoia em valores morais voláteis. Quase autobiográficos, os textos de Buk dão voz aos perdedores, como em seu romance “Misto Quente”, um dos meus preferidos que conta a saga das desventuras de Henry Chinasky, um jovem psicologicamente abalado pelas pressões familiares, alvo de bulling na escola por conta de sua cara sempre inflamada de espinhas e que encontra no álcool e nas reações violentas uma maneira de se impor a um mundo hostil a sua volta.
Buk teve uma carreira longa como escritor publicando sete romances, mais de três dezenas de coletâneas poéticas e inúmeros contos avulsos e até roteiros para cinema. Morreu em 1994 aos 73 anos logo após publicar Pulp um de seus romances mais aclamados. Mesmo com o passar dos tempos poesias como Pássaro Azul ainda hoje são recitadas por todos amantes da literatura marginal.
Longe das superficialidades das frases de time line, Bukowski é um autor instigante. Seus romances levam o leitor a passear pelos becos escuros da suja Los Angeles, convivendo com toda sorte de deserdados da sociedade de consumo, que vão tocando os seus dias entre o receber e dar porrada na vida sem esperar por mensagens felizes no final.
Em sua lápide esta escrita uma frase que pode que resume seu pensamento e desesperança como o doce “Sonho Americano: Don´t Try.
Livros que recomendo para começar a ler Buckowski:
Misto Quente — Romances
Numa Fria — Coletêna de Contos
A Mulher mais Linda da Cidade — Contos


